Camorra é o nome que se dá à arraigada máfia existente em Nápoles, Itália. Ok. Mas você deve estar se perguntando: o que essa informação tem a ver com música?
Explico-me, pois. Segundo a BBC Brasil, no final do mês passado, foi lançado o livro “Napoli, Serenata Calibro 9” de Marcello Ravveduto, que denuncia a influência que a Camorra tem sobre a população napolitana. Em seu prefácio, o ministro do interior italiano, Giuliano Amato revela sua preocupação com o sucesso de músicas que estariam “glorificando” a máfia camorrista. Para Amato, a Camorra faz “propaganda através da música”.
As canções são chamadas de “neomelodicas” (novas melodias), e são feitas no estilo das antigas canções napolitanas. Ravveduto disse a BBC Brasil que muitas dessas canções fazem apologia ao crime organizado justificando suas ações e relatando histórias de prostituição, drogas e matadores profissionais. No prefácio do livro Amato afirma que as canções são “uma verdadeira cultura popular, que tende a elevar o camorrista a herói, o presidiário à vítima sacrificada e o arrependido a traidor do sistema”.
Gigi D’Alessio (famoso na cena pop italiana), Tommy Riccio e Lisa Castaldi, são alguns dos autores dessas músicas e se defendem dizendo que apenas cantam o que acontece ao seu redor. Porém, para Marcello Ravveduto, nenhuma dessas canções fala da história dos inocentes que morreram por culpa da criminalidade.
No blog de um universitário italiano li o seguinte comentário sobre os neomelódicos e suas canções:
“(...)Il neomelodico è il prodotto della realtà in cui vive, non ne è la causa, le canzoni d’elogio ai drogati o al camorrista hanno successo perchè in quel contesto ci si adatta alla cultura esistente, un testo del genere vende molte più copie di un testo diverso che data la realtà potrebbe risultare ‘anticulturale’ (...)”.
Traduzindo, é mais ou menos o seguinte: “os neomelódicos são um produto da realidade em que vivem e não a causa dessa realidade. As canções de elogio as drogas e aos camorristas fazem sucesso porque, naquele contexto, se adaptam a cultura existente. Um texto do gênero vende muito mais que um texto diferente que, dependendo da realidade, pode aparecer anticultural” (tradução pessoal, livre)
A história do surgimento e a atual situação da Camorra são assuntos no mínimo muito interessantes e curiosos. Ao meu ver o paternalismo dos chefões da máfia muito se aproxima do que acontece em nosso país dentro das favelas. A diferença é que aqui a favela é um mundo à parte, separado, e em Nápoles, a máfia é vista como algo natural, que faz parte da vida de cada um dos moradores.
Para quem tiver interesse no assunto aqui vão alguns links:
http://www.napolionline.org/component/option,com_openwiki/Itemid,79/id,camorra/ (em italiano)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Camorra
http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=327226
Algumas das músicas que exaltariam os camorristas:
"Il mio amico camorrista"
"Fugitivo"
"Momento"
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
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4 comentários:
Puxa Kell, lembra mesmo o lance dos funks das favelas. O pessoal cantando sobre a bandidagem e tal.
Humm, e hj q prenderam um grande chefão da máfia ,lembrei tb, vc viu tb?
Q coisa...esses maledetos...hahaha
Nossa, Kell!
Muito boa a matéria da "máfia italiana"!! Todos os textos estão muito bons!!
Parabéns para vc e para a Lu!!!!
Adorei mesmo!!
Beijooooosss
Grazie per la citazione, e per esserti occupato/a dell'argomento :)
Un abbraccio,
Alessandro - www.proveditrasmissione.net
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